As Fases da Lua influenciam na Data de Nascimento dos Bebês?

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Será que as fases da lua influenciam na data de nascimento dos bebês?

A ideia é antiga e está arraigada na cultura popular no mundo todo.

A ciência diz uma coisa, e profissionais que trabalham com partos dizem outra.

A noite vai ser de lua cheia. Tudo pode acontecer, especialmente o nascimento de bebês.

Ao menos, é essa a crença popular — e o relato de pessoas que trabalham com partos.

As crenças dos efeitos da lua cheia são antigas e de origem incerta.

Além dos partos, falam também sobre um suposto aumento na fertilidade das mulheres, nos crimes, suicídios e internações em hospitais (e, claro, sobre o aparecimento de lobisomens).

O argumento recorrente é: mas, afinal, a lua não mexe com as marés?

Como não poderia influir no corpo de uma mulher, composto por 70% de água e cheio de líquido amniótico no útero que carrega um bebê?

Uma série de estudos, porém, mostra não haver correlação estatística significativa entre a lua cheia — ou da mudança das fases da lua — e o aumento de nascimentos.

O que diz a ciência Este artigo publicado em 2010 na “Revista Brasileira de Enfermagem” analisa nove diferentes estudos estatísticos de longa duração feitos sobre os impactos das fases da lua em nascimentos.

Dos nove, só um deles mostra com números uma conexão entre partos e o ciclo lunar.

A pesquisa mais antiga analisada é de 1975.

Na tentativa de confirmar a influência da lua na hora do parto, considerando especialmente o pico da lua cheia, o estudo acompanhou 4.836 nascimentos durante 731 dias.

Após várias análises, o autor concluiu que seriam necessários novos estudos com técnicas estatísticas mais sofisticadas para validar a hipótese sustentada pela cultura popular.

Ou seja: não havia influência comprovável.

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Anos depois, em 1979, apareceu outra pesquisa mais exaustiva: monitorou partos durante 51 ciclos lunares, entre março de 1974 e abril de 1978, no Hospital Universitário da Califórnia.

E, de novo, concluiu-se que a taxa de nascimento, durante o período estudado, não se correlacionou com o ciclo da fase lunar.

Em 1988, nova pesquisa mostrou uma correlação entre a ruptura da membrana da bolsa gestacional e as fases da lua, mas apenas em uma situação específica: quando a pressão barométrica no dia do parto não era controlada.

Em resumo: não foi possível generalizar o achado. Em 1991, então, um grupo de pesquisadores foi a Maputo, capital de Moçambique, e acompanhou 5.255 partos, ao longo de 37 ciclos lunares.

Os partos foram feitos sem assistência médica, dentro de uma cultura que acreditava na influência da lua nos nascimentos.

Conclusão: não foi verificado aumento dos partos durante fases específicas da lua — mesmo considerando dois dias antes ou depois das fases de lua cheia, nova, crescente ou minguante.

Em 1998, mais uma pesquisa, dessa vez com uma base de 10.027 partos, acompanhados ao longo de 18 meses, chegou ao mesmo resultado: as fases da lua não têm conexão com os nascimentos.

A conclusão se repete em um estudo de 2004 e em mais dois publicados em 2005, aqui e aqui.

Este último foi o mais extenso: avaliou a correlação do ciclo lunar com a frequência de nascimentos e com complicações mais frequentes na hora do parto.

Acompanhou 564.039 partos, ao longo de 62 ciclos lunares, entre 1997 e 2001, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. E nada.

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Há, ainda, mais esta pesquisa de 2008, feita na Alemanha e que não aparece no artigo na “Revista Brasileira de Enfermagem”, que chega aos mesmos resultados inconclusivos sobre o efeito da lua nos partos.

O único estudo que, sim, aponta uma correlação entre partos e fase da lua é este, de 1998.

Feito na Itália, acompanhou 1.248 partos espontâneos num período de três anos.

E concluiu que essa correlação é válida especialmente para grávidas multíparas, que são mulheres que já tiveram mais de um filho ou vão parir mais de um bebê.

A própria pesquisa, porém, ressalva: os dados são insuficientes para permitir uma previsão precisa de quando ocorrerão partos, de acordo com a lua.

Ou seja: é farta a evidência científica de que a lua, cheia ou nova, não tem efeito direto nos nascimentos.

O que dizem profissionais Se por um lado os números compilados por estudiosos mostram não haver correlação entre lua e partos, por outro, algumas pessoas que trabalham diariamente acompanhando nascimentos garantem ver as maternidades mais cheias quando o satélite natural da Terra brilha cheio no céu.

O Nexo conversou com três profissionais do parto sobre o assunto.

A doula Janie de Paula, com mais de 200 partos no currículo, não titubeia quando questionada se trabalha mais na lua cheia: “Aumenta, sim. É bem impressionante”.

Doula é a profissional que acompanha a gestante dando suporte físico e emocional, antes e durante o parto.

Ela conta que, em 2017, passou a acompanhar um calendário alternativo, a Mandala Lunar, “um diário para anotações dos ciclos femininos em sintonia aos ciclos da lua e da natureza”.

Janie diz que costuma não marcar muitos compromissos ou viagens perto da lua cheia ou da lua nova, porque sabe que nessas épocas vai ter muito trabalho acompanhando gestantes.

“Quando o mês começa na lua minguante e vou vendo que ninguém nasce, vou me preparando emocionalmente para a maré de partos que vai vir”, diz ela.

“Sei que isso tudo não é científico. Mas é uma percepção muito clara que tenho.”

A obstetriz Natalia Rea tem a mesma percepção. “Tem algumas luas mais poderosas. Quando está cheia, percebo que ela pode antecipar partos previstos para um pouco mais tarde.”

Obstetriz é a profissional graduada e treinada para acompanhar a gestação e o parto — é conhecida também como parteira.

“É comum que na lua cheia, as parteiras precisem uma das outras para dar cobertura, mas acabam que estão todas ocupadas”, diz ela.

É recorrente também, segundo Natalia, que os relatos de partos sejam parecidos em determinadas luas: “conversando com minhas colegas, reparamos, por exemplo, que se repetem histórias — numa mesma lua cheia, observamos partos em que rompeu a bolsa, mas não houve contração, ou partos rápidos, naturais”.

Natalia também diz que, quando vai sair com amigos e percebe que a lua está cheia, já se prepara para estar acessível: “fico preocupada, deixo o celular ligado e perto”.

A obstetriz lembra ainda que há uma relação clara entre o ciclo da lua e a duração total de uma gravidez.

Ela menciona o fato de que, a partir do período da concepção, contam-se nove luas, ou ciclos, para se saber a data provável de nascimento do bebê.

Essa percepção encontra fundamento na observação empírica: afinal, o calendário, ou a contagem da passagem do tempo, nasce da observação dos fenômenos naturais.

Assim, dizer que a gravidez dura em média nove meses seria o mesmo que dizer que ela dura nove luas.

Um mês é o tempo aproximado necessário à lua para dar uma volta ao redor da Terra.

Já a médica obstetra Mariana Acar vê como mito a ideia de que na lua cheia ocorrem mais nascimentos. “Na troca de luas, às vezes parece que mais mulheres entram em trabalho de parto”, diz.

Ela, no entanto, pondera: “De fato, tem dias em que todo mundo entra em trabalho de parto junto, maternidades ficam lotadas.

Mas, sinceramente, não sei se é a lua o elemento mais importante. Não tem nada comprovado, a verdade é que não tem regra, [o aumento de nascimentos em determinados dias] é algo que não tem explicação.”

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